O clima de esperança que parecia florescer com o fim da 2ª
Guerra Mundial durou pouco. Apenas cinco anos depois, a península coreana seria
o cenário de um dos confrontos mais importantes no contexto da Guerra Fria, estudado
em “A Guerra da Coreia em Foco”, documentário que estreia nesta sexta-feira
(01/08), às 22 horas, no Curta!.
Dividido em duas partes, o filme é produzido pela ZED, com
direção de John Maggio. O documentário analisa a Guerra da Coreia, a partir do
material de acervo e depoimentos inéditos de ex-combatentes, historiadores e
testemunhas das tensões e horrores do conflito, cujas consequências políticas,
diplomáticas e militares reverberam até hoje, 75 anos depois.
Na primeira parte, A Guerra Esquecida, são narradas as
origens e a escalada da guerra. O ataque atômico a Hiroshima e Nagasaki pelos
americanos marca o fim da 2ª Guerra Mundial. A rendição do Japão, contudo,
causa uma série de efeitos no sudeste asiático: após décadas de ocupação
japonesa, a Coreia finalmente estava livre. No vácuo de poder, União Soviética
e EUA travam uma disputa pelo território, com suas aspirações diplomáticas e
econômicas.
“Lembro-me de ver todo mundo feliz. Minha mãe entrou e nos
disse em voz alta que nós não precisávamos nos preocupar com mais nada”, conta
Park Kyung-Soon, que tinha 9 anos à época da libertação.
O documentário mostra como a península foi dividida no famoso
paralelo 38, que corta o país ao meio. Sem consultar os cidadãos, a linha
arbitrária estabeleceu as zonas de influência: o sul, com os Estados Unidos, e
o norte, apoiado pelos soviéticos e chineses. No meio de conflitos civis e
fortes discursos nacionalistas de unificação, a tensão aumenta, até que a
Coreia do Sul é invadida pelas forças do Norte.
Para uma geração que imaginava que não veria outra guerra, a
notícia da intervenção da ONU, com tropas americanas, foi um choque. “Foi uma
guerra muito suja, e isso também desmoralizou os soldados americanos. Eles não
sabiam pelo que estavam lutando e foram forçados a fazer coisas que não fizeram
na 2ª Guerra Mundial”, avalia o historiador Bruce Commings.
A produção revive os momentos de pânico e tensão através de
imagens e relatos. A crise de refugiados se torna um problema humanitário, e a
escalada do conflito, que ameaça escapar das fronteiras coreanas, torna o pavor
nuclear uma ameaça real.
“Éramos agricultores pobres, sempre moramos no campo. Então,
os soldados dos EUA vieram e disseram: se quiserem viver, saiam. Eles disseram
que tínhamos de nos agrupar, se não iriam atirar”, diz Yang Hye-Suk, que tinha
13 anos quando a guerra começou.