O quinto episódio inédito do seriado independente “Chefs
do Brasil” mostra a importância da memória afetiva na gastronomia. O
programa apresentado por Paulo Vitale na TV Brasil destaca a
jornada profissional da chef Viviane Gonçalves neste sábado (09/08),
às 12h30.
Durante a entrevista, a convidada conta que a base de sua
formação culinária está nas reuniões familiares e na doçaria da avó. Na
produção documental, ela conta que a cozinha se torna sua forma de existir no
mundo, com uma estética autoral e leve.
Ao longo da atração, Viviane Gonçalves compartilha sua
resistência à superficialidade e ao modismo. A chef reafirma seu compromisso
com o aprendizado contínuo, a valorização da equipe e a construção de um
restaurante com identidade própria.
A reconhecida profissional resgata as origens. "Essa
história da gastronomia em família ficou nas minhas veias, no meu DNA. Tenho
uma referência muito poética com isso. A comida foi permeando a minha vida. Foi
uma maneira que eu descobri de sobreviver e conhecer o mundo", recorda a
chef Viviane Gonçalves que completa: "Nunca pensei em ser chef de
cozinha. Eu tinha certeza que seria arquiteta".
Ela conta a reação dos parentes com sua decisão de seguir
essa carreira. "Nem todo mundo ficou feliz. Falo de uma época que não era
glamour estar numa cozinha no Brasil. Sou caipira, de São José dos Campos.
Minha mãe chorou quando ficou sabendo. Ela queria que eu fosse qualquer outra
coisa, menos cozinheira. Hoje, ela me admira", afirma.
A chef Viviane Gonçalves pondera sobre o mercado de trabalho
no setor. "Esse boom da gastronomia trouxe o respeito que é um paradoxo
também porque existe o abuso. Além de cozinhar, é preciso tratar bem as
pessoas, principalmente aquelas que estão nos bastidores do dia a dia, a sua
equipe, os cozinheiros de fato. Todo mundo quer ser chef, mas quem faz o
restaurante são os cozinheiros", enfatiza.
A entrevistada reflete sobre a carreira no ambiente
gastronômico. "Tenho muito orgulho da minha trajetória. Fiquei muitos anos
aprendendo. Aliás, todos os dias eu aprendo para ver se a gente está no caminho
certo. Tento fugir da zona de conforto. Ela é perigosíssima, petrifica",
afirma.
A série apresentada pela TV Brasil ainda destaca a
experiência internacional da chef no continente asiático. "Fui convidada
pra ser cozinheira em Pequim. Meu amigo me chamou para montar um restaurante,
mas eu não tinha dinheiro para ser sócia", lembra.
Viviane Gonçalves rememora sua passagem de quatro anos pela
China. "Eu adorava andar pelas ruas. Pequim era muito plana quando eu
cheguei lá em 2004. Era a cidade da bicicleta ainda. O caminhar me tira desse
mundo individualista. Faz a gente olhar o outro", sugere.
Ela destaca como aquele projeto a transformou. "Não
tinha comida ocidental. Você pagava 250 dólares num steak ou comia comida
chinesa. Quem fazia comida ocidental era na lógica capitalista, sem amor.
Cheguei com 36 anos em Pequim no auge de potência e de acreditar no que estava
fazendo. E aí tudo aconteceu. Tudo fluiu. Era tanta garra... Os olhos brilhavam
constantemente", celebra.
A chef destaca esse período de muita intensidade com o
trabalho no exterior e relata que não se permite ficar estagnada. "Essa
coisa de mudar muito às vezes incomoda quem está do meu lado. A magia é o
diário. O que eu faço na cozinha é teatro", sintetiza.
A produção mostra pratos preparados pela artista da cozinha.
O seriado inédito traz receitas autorais que a chef Viviane Gonçalves destaca
em seu cardápio como costela suína assada com mel e pimenta sichuan, tubérculos
ao fogo e brócolis salteados; polenta assada com rúcula salteada e brócolis de
queijo tulha; pato confitado e mil folhas de batata e polvo finalizado na
panela de ferro com caldo.