Assim como a tensão e os riscos iminentes, os custos da
Guerra da Ucrânia também crescem à medida em que o conflito avança. Um grupo se
beneficia e se reinventa, aumentando seu protagonismo e sua importância para as
estratégias de Vladimir Putin: os barões do petróleo e do gás. O último
episódio da série documental Os Oligarcas de Putin que será exibido nesta
sexta-feira (09/01), às 21 horas, no Curta!, revela como eles financiaram - e
ainda financiam - a guerra.
Dividida em três partes, a produção traz os bastidores da
participação dos milionários russos que controlam, entre outras coisas, o
mercado de petróleo e gás, e ajuda a contar a história política e econômica da
Rússia do início dos anos 90 até hoje. Dirigida por Jérôme Fritel, a série é
uma produção da ARTE France e YAMI2.
O episódio Financiando a Guerra da Ucrânia mostra como
possuir o controle de recursos de petróleo e gás se torna uma vantagem para o
Kremlin, uma vez que mais de 40% do gás que abastece a Europa provém da Rússia.
A atração ainda destaca como o domínio da energia seria um passo fundamental
para a ambição militar e histórica de Putin de resgatar o poder de uma Rússia
dominante. Em 2014, ele anexa a península da Crimeia e, oito anos depois,
invade a Ucrânia.
Putin usou seu grupo de empresários do setor de energia para
chantagear nações como a Alemanha, França e Reino Unido. Ele teria ordenado a
suspensão do abastecimento de gás a países da União Europeia como parte de sua
estratégia bélica: sem gás para enfrentar o rigoroso inverno, os países seriam
forçados a negociar sobre a invasão da Ucrânia, conta Luke Harding, jornalista
do The Guardian e autor do livro "Mafia State". Para ele, Putin era
"o cara da torneira". Se os países europeus "se tornassem
difíceis e agressivos, Putin simplesmente fecha a torneira".
‘A Rússia é uma mina de reservas de petróleo inexploradas e
intocadas. Onde mais encontraríamos algo da magnitude da Rússia? Só os
depósitos do Ártico são o bastante para abastecer o mundo por 50, 100 anos’,
afirma Bem Aris, também jornalista e especialista em energia russa.
Novos oligarcas, como Gennady Timchenko e Leonid Mikhelson,
da Novatek, produtora de gás, e Igor Sechin, da petrolífera Rosneft, se tornam
protagonistas da política russa ao assinarem contratos de bilhões de dólares
com empresários ocidentais para o fornecimento de energia.
‘Putin vê os
empresários ocidentais como aliados na luta contra os valores ocidentais e as
regras da ordem mundial. Ele acredita que os empresários e investidores
ocidentais pediriam a seus governos que fossem gentis com a Rússia, para poder
ganhar dinheiro’, relata o ex-vice-ministro da energia da Rússia Vladimir
Milov.
O episódio aborda ainda dúvidas sobre o futuro dos oligarcas
diante das sanções econômicas aplicadas pelos Estados Unidos e medidas de
restrição da União Europeia. No debate para entender se a Rússia poderia perder
seu baú de ouro que financia a guerra, o documentário mostra como Putin,
entretanto, montou um exército fiel de oligarcas, que sabe se adaptar às
exigências dos tempos e escreve uma nova ordem mundial.
‘Acho que as sanções contra os oligarcas russos vêm de um
erro de análise grave. Como eles sustentavam a economia russa, achavam que eles
iriam pressionar Putin para parar a guerra e encerrar as sanções. Mas aconteceu
o oposto, quando as sanções foram aplicadas, todos se reaproximaram da Rússia’,
analisa o embaixador da França na Rússia Jean de Gliniasty.