O documentário Em Busca de Simone de Beauvoir, que estreia nesta
quinta-feira (05/03), às 21h30, no Curta!, refaz os passos da intelectual no
caminho para a escrita de O Segundo Sexo, obra que revolucionou o movimento
feminista no mundo todo. O filme abre as comemorações pelo Mês das Mulher no
canal.
Com direção de Nathalie Masdurad e Valérie Urrea, o
documentário traz imagens de arquivo, registros de diários e entrevistas
antigas da pensadora, além de depoimentos inéditos com ativistas e nomes
importantes da história do feminismo como as filósofas Judith Butler e Silvia
Federici, as historiadoras Laure Murat e Kellie Carter Jackson e a cientista
política Françoise Vergès.
Publicado em 1949, o livro teve efeito de uma bomba. O
documentário mostra que foi elaborado de forma cautelosa. Convidada pela
embaixada da França nos Estados Unidos para uma série de palestras pelo país,
ela viajou por mais de 50 cidades. Analisando o comportamento da sociedade
norte-americana no pós-guerra, Beauvoir fez um inovador estudo sobre a
sociedade patriarcal, a violência, os costumes, preconceitos e o capitalismo.
“Em Nova York, vi como mulheres inteligentes ficavam
desconfortáveis ou eram ignoradas quando tentavam participar das conversas com
os homens. A condição das mulheres americanas era muito inferior. Os homens
queriam que elas fizessem amor, engravidassem e cuidassem da casa. E esse papel
lhes convinha”, registra a autora em um diário da viagem.
O filme mostra que a filósofa e romancista questionou a
condição feminina e faz uma análise inédita dos mecanismos de dominação da
sociedade patriarcal da época. Nas páginas do livro, luta pela igualdade dos
sexos, a independência feminina e a liberação dos costumes. Em uma das
entrevistas, diz que esperava que a obra se tornasse obsoleta.
“O que seria o feminismo, e me refiro ao feminismo mundial,
sem esse livro? É muito difícil dizer hoje. Muito se diz que o O Segundo Sexo é
a bíblia do feminismo. É evidente que ela possibilitou todo o tipo de teorias,
incluindo as mais atuais”, afirma a historiadora Laure Murat.
“A família nuclear e heteronormativa é uma das formas de
organizar a família. Simone de Beauvoir nos ensina que isso é uma realidade
histórica. Faz parte do que elas nos oferece como perspectiva. Poucas pessoas
puderam criar laços tão fortes quanto Simone de Beauvoir fez em seu mundo. E
ela devia ser reconhecida e celebrada por isso”, analisa a filósofa Judith
Butler.
Em Busca de Simone de Beauvoir é uma produção da Les
Batelières Productions.