A Filosofia de Hannah Arendt estreia nesta quinta-feira
(19/03), às 21h30, no Curta!. O documentário destaca Origens do Totalitarismo,
de Hannah Arendt, guia publicado em 1951 que identifica as características de
regimes totalitários. O livro tornou-se uma referência no estudo político a
partir das experiências da autora, que acompanhou eventos e movimentos que
mudaram o século XX.
Produzido por LOOKSfilm e Jeff Bieber Productions, e
dirigido por Jeff Bieber e Chana Ghazit, a produção traz um acervo de imagens,
entrevistas antigas da filósofa, além de trechos de diários, cartas e ensaios,
e depoimentos de especialistas.
Testemunha ocular, e por vezes vítima, dos horrores e
violências de guerras e conflitos sociais, Arendt recorda, em entrevista
recuperada no documentário, o episódio que a fez se interessar por política. O
incêndio no Reichstag, em 1933, classificado por ela como atroz, seria o
símbolo inequívoco da tomada do poder pelos nazistas. Ela, que estudava sobre
amor, passa a analisar “forças políticas que não seguem as regras do senso
comum, forças que parecem insanidade”.
“Perdemos nosso lar, ou seja, perdemos a familiaridade da
vida cotidiana. Perdemos nosso trabalho, ou seja, perdemos a confiança de que
somos úteis. Perdemos nosso idioma, ou seja, a naturalidade das reações e a
expressão espontânea dos sentimentos”, escreveu em um ensaio já no exílio.
O documentário mostra como, nos Estados Unidos, ela tenta
conscientizar as pessoas do que está acontecendo na Europa, na iminência de
barbáries que iriam chocar o mundo.
“Para ela, a compreensão significa encarar a realidade sem
preconceitos e com atenção. Precisa enfrentar a realidade se quiser resistir a
ela. Pode não acontecer de novo como aconteceu na Alemanha, mas é provável que
o totalitarismo volte. E pode vir de várias formas, mas precisamos estar
preparados”, ressalta o acadêmico especialista em Arendt, Roger Berkowitz.
A pensadora também acompanhou, com aflição e preocupação, os
conflitos no contexto da Guerra Fria que causaram ebulição social nos Estados
Unidos. Da perseguição macarthista à Guerra do Vietnã, o documentário refaz os
capítulos da política norte-americana em meados do século passado, quando
Arendt notou elementos totalitários brotando da sociedade e se preocupou com a
capacidade do povo de resistir às mentiras e brutalidades persistentes.
“O que ela viu no fim dos anos 1960 e início dos anos 70, a
aceitação da violência como forma de fazer política, a apavorava. Para ela,
significava a vitória do totalitarismo”, afirma a historiadora e acadêmica
Lindsey Stonebridge.