Em entrevista ao programa É Negócio, que irá ao ar neste
domingo (30/03), às 20h45, na CNN Brasil, Lucas Kallas, presidente do Conselho de
Administração da Cedro Participações, afirma que o setor mineral pode enfrentar
falta de capacidade portuária até o início da próxima década.
“O que nós enxergamos é que, com todos os grandes players
aumentando a produção, em 2030 ou 2031 não haverá capacidade portuária
suficiente. O nosso medo é que lá na frente não haja espaço para escoar. Você
está falando de investimentos de bilhões que ficam paralisados se não houver
porto”, acredita. Segundo o executivo, o cenário levou a empresa a investir em
um porto próprio para reduzir a dependência de terceiros como Vale, CSN e
Mubadala.
Durante a conversa com Carlos Sambrana, Kallas também afirma
que o futuro da indústria está ligado à descarbonização e disse que a Cedro
aposta no “pellet feed” de alto teor para reduzir a pegada de carbono e
capturar um prêmio de mercado para o minério de melhor qualidade.
“Acredito muito na mineração sustentável de pellet feed, que
é o minério de altíssimo teor e emite 50% a menos de carbono. Estou partindo
muito para essa questão do minério verde. Acredito que o minério de alta
qualidade deve receber prêmio no futuro, porque o mundo não tem como seguir sem
a descarbonização”, defende.
Ele comentou que a Cedro se destaca pela agilidade na
adaptação ambiental, como pioneira na descaracterização de barragens e no reuso
de recursos hídricos. “Fomos a primeira empresa, logo em 2019/2020, a
descaracterizar uma barragem de rejeito a montante. Hoje filtramos o rejeito,
reaproveitamos 80% a 90% da água no circuito e pegamos um ciclo extremamente
favorável para a mineração”, enfatiza. Kallas relembra que a empresa estruturou
seus investimentos com o minério a US$ 80 e acabou atravessando o período em
que o preço chegou a US$ 200.
O executivo também reforça a vulnerabilidade do setor mineral
brasileiro em relação à demanda chinesa. “O consumo de minério no Brasil é
muito pequeno. Eu brinco que, se a China gripar, a gente morre de pneumonia.
Hoje, 80% a 90% do minério de ferro é exportado”, diz.
Ele explica ainda que, além do minério, a Cedro analisa
oportunidades em petróleo onshore fora do Brasil. “Pretendo investir na América
Latina. Nos Estados Unidos, estou olhando também, na área de petróleo onshore”,
comenta.