Nesta terça-feira (28/04), às 22h30, na TV Cultura, o
programa Provoca, apresentado por Marcelo Tas, recebe o médico epidemiologista
Carlos Augusto Monteiro, criador do termo alimentos ultraprocessados. O
especialista compara o vício em nicotina ao consumo de ultraprocessados, afirma
que a alimentação no Brasil é melhor do que nos Estados Unidos e na Inglaterra
e ressalta a importância de cozinhar e valorizar a comida de verdade.
“Muita gente imagina que está só aspirando o tabaco,
queimando o tabaco. Não, ele foi criado de uma tal maneira para viciar mais as
pessoas, com muitos aditivos que fazem, por exemplo, que a nicotina chegue mais
rápido no seu cérebro (...) quanto mais você sente prazer e liga a um
comportamento em questão de segundos, o cérebro aprende mais rapidamente que
aquilo é bom e pede mais. E o alimento ultraprocessado é a mesma coisa”, diz.
Em outro momento, o médico defende que a alimentação no
Brasil é melhor que na Inglaterra e nos Estados Unidos. “Na Inglaterra e nos
Estados Unidos, o comer é uma coisa equivalente a abastecer um automóvel num
posto de gasolina. É um transtorno, tem que fazer rápido e tem que custar pouco
(...) Isso é terrível, porque é muito difícil perder isso. É cultural”, observa.
Carlos Augusto Monteiro também destaca a importância de
cozinhar e consumir alimentos in natura. “A cozinha talvez seja uma das
possibilidades mais democráticas, porque qualquer pessoa pode tentar fazer
alguma coisa (...) A indústria de ultraprocessados criou a ideia de que
cozinhar é um negócio muito complicado, que leva horas. O macarrão instantâneo,
qual é a propaganda dele? Você faz em três minutos. Está bom, um macarrão com
molho, eu faço em dez”, conclui.