A quinta edição do programa ‘Sons de SP’ que estreia nesta
quinta-feira (14/05) na TV Globo. Em dois episódios, exibidos às quintas, após
a novela Guerreiros do Sol, a produção reúne artistas e especialistas para
refletir como diferentes gerações ajudaram a construir uma identidade própria
para o rock.
O programa percorre uma linha do tempo que vai das primeiras
manifestações do rock no Brasil, no fim dos anos 50, até os desdobramentos nos
anos 2000. Nesse percurso, episódios marcantes — como a Jovem Guarda, o
psicodelismo dos anos 70 e o fortalecimento do punk e do metal nos anos 80 —
ajudam a entender como São Paulo se consolidou como um dos principais polos do
gênero no país.
No primeiro episódio, a atração aborda as origens do rock
paulista e como o cenário cultural da cidade moldou o estilo. Tony Bellotto,
vocalista e guitarrista dos Titãs, relembra as referências do grupo.
A cantora Wanderléa destaca o impacto comportamental do
gênero. Ela também recorda artistas como Celly Campello e Sérgio Murilo, nomes
de destaque nos anos 50 e 60.
Crítico musical e escritor, Régis Tadeu explica que a
trajetória do rock brasileiro começa antes da Jovem Guarda. “Se for traçar uma
linha do tempo do rock no Brasil, ela precisa começar no final dos anos 50, em
uma fase pré-Jovem Guarda e pré-Bossa Nova”, afirma. Segundo ele, a Jovem
Guarda foi decisiva para a consolidação do rock no país. “Ela foi fundamental
para a cena roqueira brasileira no uso dos equipamentos elétricos, como a
guitarra”, acredita.
O cantor Ronnie Von destaca a importância de Rita Lee para a
popularização do gênero. “Se o rock brasileiro tivesse que ter um nome,
seguramente seria Rita Lee. Rita conseguiu fazer com que o rock de qualidade se
popularizasse”, afirma.
Segundo o jornalista e escritor Ricardo Alexandre, o rock
feito em São Paulo desenvolveu uma identidade própria. “Os Mutantes tinham um
traço paulista inconfundível, que era o cinismo e a ironia. Esse é um traço
curioso dos artistas paulistas. Ou eles se aproximam do rock de forma mais
crente e ingênua, ou pela via da ironia. Isso vai dos Mutantes aos Mamonas
Assassinas. O que são os Mamonas, senão uma grande sátira?”, analisa.
O episódio também discute as diferenças regionais do rock no
Brasil e as transformações do mercado musical. Nasi, vocalista do Ira!, compara
as cenas do Rio de Janeiro e de São Paulo.
O cantor e compositor Supla ressalta a importância das
referências internacionais na formação das bandas. Para ele, a diversidade de
influências sempre foi fundamental para a construção da identidade de cada
grupo.
A edição ainda contextualiza as mudanças no mercado musical
no fim dos anos 90, com a ampliação do consumo cultural e a ascensão de outros
ritmos, o que levou a uma retração do rock no cenário popular, e conta como
surgiram bandas como Los Hermanos, Pitty, CPM 22 e NX Zero, na virada para os
anos 2000, marcando o período dos últimos grandes sucessos populares ligados ao
gênero.
Também participam Thiago Castanho e Marcão Britto, fundadores
e guitarristas do Charlie Brown Jr., que falam sobre a construção da banda e a
relação com o público.
O ‘Sons de SP’ vai ao ar apenas para o Estado de São Paulo. O
conteúdo também ficará disponível no Globoplay.