No mês em
que é celebrado o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia, em 17 de maio,
a TV Brasil apresenta duas séries inéditas para debater o tema. A emissora
pública estreia as produções documentais "Visto para Amar" e
"Desobediência de Gênero" nesta quinta (14/05) e sexta-feira (15/05),
respectivamente, ambas às 23h. Os novos conteúdos independentes apresentados
pelo canal foram desenvolvidos por meio do edital Prodav TVs Públicas.
O seriado
"Visto para Amar" aborda a perseguição sofrida por refugiados. A obra
acompanha a situação de pessoas LGBTQIA+ que são obrigadas a deixar seus países
de origem por sofrerem com a privação de seus direitos humanos relacionados à
identidade de gênero e à orientação sexual. Com dez episódios de 26 minutos, a
atração dirigida por Kécia Garcia Ferreira e Wertem Nunes foi realizada pela
produtora Tocantins Filmes.
Os
refugiados apresentados na série deixaram países como Tunísia, Colômbia,
Ucrânia, Moçambique, Marrocos, Síria, Venezuela e Rússia com destino a outras
nações do planeta. Em comum, as pessoas mostradas no programa "Visto para
Amar" compartilham a busca por um lugar onde possam viver depois do
sofrimento enfrentado com a perseguição em sua terra natal.
O primeiro
episódio da série "Visto para Amar" acompanha o relato de Jade, homem
transgênero que nasceu na Tunísia. Ele teve uma infância alegre e uma boa
relação com a família, até que na adolescência começou a ter conflitos por ter
que usar as roupas tradicionais que as mulheres usam naquele país.
Além das
discordâncias religiosas, Jade começou a se perceber como transgênero e buscou
informações com professores e amigos, mas também teve problemas de
discriminação entre os colegas de universidade que o fizeram abandonar o curso.
A família de
Jade o impedia de sair de casa, limitava o acesso a recursos financeiros e restringia
suas roupas. Obrigado a sair de casa, o rapaz procurou ajuda psicológica e
psiquiátrica, mas as leis do país não permitiam a transição de gênero.
A saída para
ele foi vir para o Brasil onde Jade pode ser acolhido por movimentos ativistas
que o ajudaram a conseguir abrigo e emprego, além do acesso ao tratamento de
transição garantido pelo SUS, e documentos com nome masculino que ele tanto
almejava.
A série
"Desobediência de Gênero" revela os desafios de quem resiste às
convenções relacionadas às expressões da sexualidade e da identidade de gênero.
Os personagens enfrentam preconceitos para afirmar suas escolhas no cotidiano.
Com cinco edições de 26 minutos, a atração destaca o desafio desses moradores
de Cuiabá, a capital de um dos estados do país com maior incidência de crimes
relacionados à transfobia, homofobia e lesbofobia. A produção da Molera Filmes
foi dirigida por Diego Baraldi.
Na edição de
estreia, o seriado "Desobediência de Gênero" aborda o cotidiano e as
redes de afetos de Hend Santana Souza e Silva Simone, uma pessoa dissidente de
gênero. A produção apresenta a rotina e os desafios dessa mulher preta trans
não-binárie.
Cantora,
atriz, servidora pública na Rádio Assembleia Legislativa de Mato Grosso e
ativista anti-gordofobia, Hend Santana faleceu meses depois do término das
gravações da série documental, mas deixa seu legado de luta pela causa nas
entrevistas gravadas para a produção.