Nesta terça-feira (19/05), a partir das 22h30, na TV Cultura,
Marcelo Tas entrevista a escritora Patrícia Melo em edição inédita do Provoca.
A violência contra a mulher, o papel do Estado diante do feminicídio, a
desigualdade social no Brasil e os impactos da política no país estão entre os
principais temas abordados na conversa.
Autora do livro Mulheres Empilhadas, Patrícia relembra a
pesquisa realizada em Cruzeiro do Sul, no Acre, para construir a narrativa
sobre feminicídio. “Eu queria fazer um retrato grande mesmo”, afirma. “Ali eu
tenho tudo que eu preciso. Eu tenho a mulher ribeirinha, a mulher que mora na
floresta, as indígenas, as mulheres da cidade... É um local estratégico para a
história”, observa.
A escritora também defende a educação como ferramenta
essencial no combate à violência contra a mulher. Ao falar sobre os sinais de
relacionamentos abusivos, ela alerta: “A violência verbal abre a porta para a
violência física”. Para Patrícia, o acolhimento e a conscientização ainda são
insuficientes no país.
Ao ser questionada sobre o papel do Estado diante do
feminicídio, a autora faz uma crítica direta à falta de proteção oferecida às
vítimas. “Em alguns casos, o Estado participa desse homicídio. Participa,
porque ele não protege essa mulher, ele não consegue garantir a liberdade dela”,
afirma. Segundo ela, o problema ultrapassa as fronteiras brasileiras: “É uma
pandemia global”.
O programa aborda ainda a desigualdade social no Brasil. A
convidada comenta o aumento da população em situação de rua e a naturalização
da pobreza nas grandes cidades. “A naturalização é quase um mecanismo de defesa”,
reflete. “Se você entende a crueldade e a perversidade, é difícil acreditar no
humano”, frisa.
A escritora fala sobre o cenário político brasileiro e os
desafios estruturais do país. “A questão da desigualdade social nunca foi
resolvida no Brasil”, afirma. Para ela, o país precisa de renovação política. “O
Brasil realmente precisa de uma geração de novos líderes”, conclui.