O encerramento da atual temporada do programa Hot Market neste
domingo (31/05), às 23h15, na CNN Brasil, traz uma entrevista sobre os rumos do
varejo brasileiro. Em bate-papo conduzido por Rafael Furlanetti, Flávio Rocha,
presidente do conselho de administração da Riachuelo, aborda o impacto das
plataformas de e-commerce asiáticas, defende a necessidade de equidade
regulatória e alerta para o risco iminente de o Brasil se tornar o primeiro e
único país "desprotecionista" do mundo.
Segundo o empresário, a entrada de produtos importados sem a
devida equiparação penaliza o setor produtivo nacional e desequilibra o sistema
competitivo de uma economia de livre mercado. Rocha destaca que o comércio
cross-border, que representava apenas 0,5% do varejo têxtil brasileiro antes da
pandemia, chegou a 25% e só não ultrapassou a marca dos 50% devido à aplicação
de uma "tímida cunha tributária de 20%, chamada taxa das blusinhas".
"Nós não estamos defendendo, absolutamente, seria uma
posição antipática, defender um tributo. Mas o que nós precisamos é a
equidade", observa. Para ilustrar a distorção do jogo atual, o chairman
apontou que não é justo um varejista brasileiro pagar cerca de 90% de impostos,
fazendo com que uma camisa de R$10 seja vendida a R$19, enquanto a mesma peça
vinda da Ásia chega com zero imposto.
Durante a conversa, o líder da Riachuelo recorre a uma
analogia para explicar o ambiente de negócios nacional: a sociedade é como uma
carruagem, e sua competitividade depende da força de tração em relação ao peso
da "carruagem estatal". Para Rocha, o Estado tem que ser pequeno e
cuidar apenas de suas atribuições básicas, mas, nos últimos anos, presenciou-se
um inchaço e uma hipertrofia do Estado brasileiro através do crescimento
exponencial do gasto público. Esse cenário deságua em juros altos e numa carga
tributária recorde de 32%, que é arcada por não mais do que 60% da economia
formal do país.
O cenário de insegurança jurídica e relações de trabalho
também foi alvo de duras análises por parte do empresário. Ao comentar o
assunto, Rocha destaca que dos 4 milhões de ações trabalhistas produzidas no
mundo no ano passado, 3 milhões ocorreram no Brasil. Ele lamenta que a
conquista civilizatória proporcionada pela reforma trabalhista, que havia
pacificado as relações no setor, foi "totalmente desidratada e
deformada" por "canetadas judiciais".
O último episódio da temporada do Hot Market com Flávio Rocha
também será exibido na MONEY nesta segunda-feira, dia 1º de junho, às 19h.