Em tributo
ao produtor, diretor e fotógrafo de cinema Luiz Carlos Barreto, que faleceu na
quarta-feira (22/07), aos 98 anos, a TV Brasil apresenta uma entrevista do
homenageado nesta sexta-feira (24/07), às 21h, na edição especial do programa
Cine Resenha. Na sequência, às 21h30, a emissora pública exibe o clássico
"Dona Flor e seus Dois Maridos" (1976).
O veterano
da sétima arte esteve no estúdio do canal em 2023 para a gravação que celebrou as
seis décadas de atividade da produtora L.C. Barreto. O cineasta e sua esposa, a
produtora Lucy Barreto, conversaram com a apresentadora Priscila Rangel sobre
clássicos do Cinema Novo e revelaram histórias sobre produções nacionais das
telonas.
O histórico
longa-metragem "Dona Flor e seus Dois Maridos" foi dirigido por Bruno
Barreto e baseado na obra homônima de Jorge Amado. A trama é estrelada pela
diva Sônia Braga que divide a cena com os atores José Wilker e Mauro Mendonça.
A produção é
uma das maiores bilheterias brasileiras de todos os tempos. Fenômeno de público
no circuito, o filme foi o primeiro a superar a marca de mais de 10 milhões de
espectadores nas salas do país. Com o sucesso, a película se manteve como a
líder de público por mais de 30 anos. A história acompanha uma professora viúva
do malandro Vadinho que se casa com um pacato farmacêutico.
"Dona
Flor divide o cinema brasileiro em antes e depois. Foi a prova de que o Brasil
tem capacidade de produzir filmes de interesse internacional do ponto de vista
artístico e comercial. Abriu o mercado americano e o europeu não só de cinema,
como também de televisão", afirmou Luiz Carlos Barreto na atração da TV
Brasil.
Durante a
entrevista, Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto recordam o primeiro contato
profissional com o cinema, mencionam a participação em produções nacionais e
destacam a influência de grandes parceiros como Nelson Pereira dos Santos e
Glauber Rocha.
Luiz Carlos
Barreto assinou a fotografia de dois clássicos do Cinema Novo: "Vidas
Secas" (1963) e "Terra em Transe" (1967). Barretão e Lucy contam
histórias sobre as produções de filmes como "Dona Flor e seus Dois
Maridos", "Bye Bye Brasil" e "O Beijo no Asfalto",
entre outras.
No papo, os
veteranos também explicam o fascínio da família pela sétima arte. Os filhos
Bruno e Fabio Barreto se tornaram importantes cineastas. A produtora L.C.
Barreto é responsável por mais de 150 títulos, entre filmes de ficção,
documentários e programas de televisão.
A
experiência de concorrer ao Oscar é outro destaque do programa. Eles contam
sobre como foi disputar a estatueta da Academia na categoria Melhor Filme
Estrangeiro com "O Quatrilho" (1995), de Fabio Barreto, e "O Que
é Isso, Companheiro?" (1998), de Bruno Barreto. Os convidados ainda
discutem o orçamento do cinema brasileiro.
Luiz Carlos
Barreto ainda revela a origem do apelido Barretão. A alcunha foi concebida por
Nelson Pereira dos Santos e o jornalista Ancelmo Gois ajudou a popularizar o
nome pelo qual o querido diretor é carinhosamente chamado.
Lucy analisa
como a L.C. Barreto se mantém por tanto tempo no mercado. Também conta sobre as
homenagens que a produtora recebeu em grandes festivais de cinema como Cannes.
Ela destaca a importância do reconhecimento para a sétima arte nacional.
"É o valor que é dado à produção brasileira. O cinema vende a paisagem, a
música, a comida, a vestimenta; enfim a cultura do país", disse.
Luiz Carlos
Barreto ainda fala sobre a perspectiva para o cinema brasileiro. Ao projetar
sobre o tema, ele aborda assuntos latentes sobre o presente da indústria
audiovisual e ressalta a importância de se fiscalizar a cota de tela para
equalizar a concorrência entre os produtores de conteúdo.
"A
indústria do audiovisual e do cinema, além do seu fator comercial, é formadora
de hábitos e costumes", pontua o diretor Barretão que ainda discute a
capacidade de produção das emissoras públicas do país.