Nesta terça-feira (04/08), às 22h30, na TV Cultura, Marcelo
Tas recebe, no Provoca, o frade dominicano, teólogo e escritor Frei Betto. Na
entrevista, ele fala sobre religião, política e sua experiência no teatro.
No início da edição, Frei Betto diz que é uma figura política
não partidária e explica sua participação, no primeiro mandato do governo Lula,
na implantação do Fome Zero. “Eu considerei que era um programa de caráter não
só social, mas pastoral, dentro do meu propósito de trabalho como cristão (...)
E, no momento em que ele foi mudado para o Bolsa Família, eu discordei de
alguns aspectos. Por outro lado, eu não tenho vocação nem para a iniciativa
privada, nem para o serviço público. Eu sou um feliz ING (Indivíduo Não
Governamental)”, comenta.
Tas o questiona sobre como a sociedade precisa se posicionar
em relação à política e à religião. “Não partidarizar as religiões e não confessionalizar
a política. Esse é o equilíbrio. Você não pode ter um partido chamado democrata
cristão, porque um partido tem que representar cristãos e não cristãos. Você
também não pode ter um padre, um pastor que diga no púlpito aos seus fiéis: vote
em tal candidato ou vote em tal partido. O que você pode e deve fazer é dizer: vote
naqueles que defendem os direitos dos mais pobres”, ressalta.
O teólogo também afirma, durante a entrevista, que o período
em que passou na prisão foi uma grande escola e uma experiência de
espiritualidade. Ele conta ainda que foi assessor de teatro do diretor Zé Celso
na montagem de O Rei da Vela e que essa experiência gerou uma crise vocacional.
“Eu quis ser diretor de teatro, só que é outro sacerdócio, é incompatível com o
que eu faço (...) Se eu pudesse ter outra vida, se eu pudesse ter tempo, eu me
dedicaria ao teatro”, revela.