Laura Cardoso morreu na noite dessa segunda-feira (17/08), aos
98 anos, em sua casa, em São Paulo, de causas naturais, segundo informou a
família. Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, foi pioneira da televisão e um dos
grandes nomes da dramaturgia nacional. Iniciou a vida artística aos 15 anos, na
Rádio Cosmos, e atravessou oito décadas de atuação no rádio, na TV, no cinema e
no teatro.
Ainda adolescente, Laura estreou no rádio. A projeção
nacional veio em 1952, no programa ‘Tribunal do Coração’, da recém-inaugurada
TV Tupi. Na emissora paulista, trabalhou sob a direção de nomes como Dionísio
Azevedo e Teixeira Filho e permaneceu até o encerramento das atividades, em
1980. Ao longo da vida profissional, somou mais de cem trabalhos, entre
novelas, séries e especiais.
Ao chegar à Globo, em 1981, a convite de Daniel Filho,
interpretou Alda Sampaio, mãe de Luiza (Vera Fischer), protagonista de
‘Brilhante’, de Gilberto Braga. Depois de participar de duas produções da TV
Bandeirantes - ‘Ninho de Serpente’, de Jorge Andrade, e ‘Renúncia’, de Geraldo
Vietri, ambas de 1982 -, retornou à emissora e retomou a parceria com Walther
Negrão, iniciada nos tempos da Tupi. Com textos do autor, atuou em três novelas
consecutivas: ‘Pão-Pão, Beijo-Beijo’ (1983), como a marcante Donana; ‘Livre
para Voar’ (1984); e ‘Fera Radical’ (1988).
Na sequência, integrou ‘Rainha da Sucata’ (1990), de Silvio
de Abreu, e ‘Felicidade’ (1991), de Manoel Carlos. Em 1993, viveu Isaura
Araújo, mãe das gêmeas Raquel e Ruth (Gloria Pires), em ‘Mulheres de Areia’. No
ano seguinte, interpretou a médium Guiomar, em ‘A Viagem’. Em 1995, foi
Sinhana, a “mãe Coragem” da segunda versão de ‘Irmãos Coragem’, clássico de
Janete Clair dirigido por Luiz Fernando Carvalho, e também viveu a cigana
Soraya, em ‘Explode Coração’, de Glória Perez.
Em nova colaboração com Walther Negrão, participou de ‘Vila
Madalena’ (1999) como Deolinda, uma matriarca italiana. Após breve passagem
pela Record, onde atuou em ‘Vidas Cruzadas’ (2000), de Marcos Lazarini,
regressou à Globo em ‘A Padroeira’ (2001), de Walcyr Carrasco. Depois, deu vida
a Madalena, de ‘Esperança’ (2002), escrita por Benedito Ruy Barbosa.
Em ‘Chocolate com Pimenta’ (2003), de Walcyr Carrasco, encarnou
Carmem, avó do núcleo caipira. Sob a direção de Luiz Fernando Carvalho, esteve
em ‘Hoje é Dia de Maria’ (2005), sua primeira minissérie na Globo, na qual
emprestou a voz à Senhora dos Dois Mundos, avó que narrava histórias para
Maria. Ainda participou do remake de ‘O Profeta’ (2006), adaptado por Duca
Rachid e Thelma Guedes a partir do original de Ivani Ribeiro; de ‘Duas Caras’
(2007), de Aguinaldo Silva; e de ‘Caminho das Índias’ (2009), de Glória Perez,
vencedora do Emmy Internacional de Melhor Telenovela, em que viveu a matriarca
indiana Laksmi Ananda.
Em ‘Araguaia’ (2010), outra obra de Walther Negrão,
interpretou Mariquita, amiga de Antoninha (Regina Duarte), que lhe confia a
criação do filho, Fernando Rangel (Edson Celulari). Em 2012, viveu a beata
Dorotéia, “o pilar moral de Ilhéus”, na releitura de ‘Gabriela’, escrita por
Walcyr Carrasco a partir da obra de Jorge Amado. No ano seguinte, foi Veridiana
em ‘Flor do Caribe’, de Walther Negrão. Aos 87 anos, participou de três
produções em 2014: o seriado ‘Segunda Dama’ e as novelas ‘Boogie Oogie’ e
‘Império’. Em 2016, encarnou a vilã Dona Sinhá, em ‘Sol Nascente’, de Walther
Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer.
Em 2017, destacou-se como Caetana, em ‘O Outro Lado do
Paraíso’, de Walcyr Carrasco. Dois anos depois, voltou a trabalhar com o autor
em ‘A Dona do Pedaço’, no papel de Matilde.
Em outubro de 2025, ganhou uma estrela na Calçada da Fama dos
Estúdios Globo, homenagem que eterniza sua contribuição à dramaturgia
brasileira.
Viúva do ator e diretor Fernando Balleroni, Laura Cardoso
deixa as filhas Fátima e Fernanda, as netas Claudia e Adriana e o bisneto
Fernando.