Neste sábado (19/09), a partir das 22h45, CNN Brasil exibe o quinto
episódio de Na Palma da Mari: Entre Mulheres, que reúne a jornalista Fátima
Bernardes, sua filha Bia Bonemer e a psicóloga Carolina Druck em uma conversa
sobre maternidade, amizade, carreira, independência e expectativas.
Fátima Bernardes e Bia Bonemer também falam sobre a
experiência de trabalharem juntas no videocast Cá Entre Nós. A jornalista conta
que nunca imaginou dividir um projeto profissional com um dos filhos e que
chegou a torcer para que nenhum deles seguisse carreira no jornalismo. “Está
tudo muito novo para a gente. Eu nunca imaginei trabalhar com nenhum dos meus
filhos. Na verdade, eu torci muito para que nenhum deles fosse seguir a
carreira de jornalista, porque, tendo pai e mãe na área, eu sempre achei que
seria muito pesado”, afirma. Segundo Fátima, a experiência tem sido mais de descoberta
do que de idealização. “Ver a Bia trabalhando é uma coisa muito especial; estou
mais no sentido de descoberta do que de idealização mesmo”, afirma.
Bia, por sua vez, destaca que a relação entre as duas ajuda a
separar a figura pública da mãe. “O que me perguntam às vezes é: Ah, mas você
não se sente pressionada porque é a Fátima do seu lado?. E eu sempre falo: Gente,
além de ser a Fátima, é a minha mãe que está ali. Estamos lidando como se fosse
algo que estamos aprendendo e construindo juntas”, revela.
A transição para a vida adulta também é tema da conversa.
Fátima fala sobre os diferentes momentos da maternidade e sobre o desafio de
respeitar o espaço dos filhos conforme eles crescem. “A gente vai aprendendo a
ser mãe de criança e acha que está bombando. Aí ela dormiu, acordou
adolescente, e você tem que começar do zero, descer todos os degraus e começar
de novo. Depois, entra na vida adulta. E você tem que voltar a entender que
precisa respeitar muito aquele novo espaço”, diz.
Para a jornalista, ver os filhos independentes representa a
conclusão de uma etapa importante. “Eu acho que a minha maior satisfação como
mãe é ver que eu criei três pessoas que são capazes de estarem sozinhas no
mundo, dando conta da vida delas. Isso me dá uma percepção de que a minha
missão está cumprida. O resto é só prazer”, explica.
Bia conta que o processo de sair de casa acabou aproximando
ainda mais mãe e filha. “Eu acho que ela só reparou que eu virei adulta depois
que eu saí de casa”, brinca. Segundo ela, morar sozinha trouxe novas
experiências e assuntos para compartilhar com a mãe. “O fato de ir morar
sozinha acabou nos aproximando mais”, conta.
Fátima também avalia que a mudança pode ser positiva para a
relação. “Acho que ir morar sozinha, para quem é mãe e está agoniada com esse
momento que vai passar, pode ser muito bom para melhorar a relação como um todo”,
desabafa.
A psicóloga Carolina Druck explica que permitir a
independência é uma etapa fundamental da relação entre mães e filhos. “A
questão principal é permitir que o filho tenha a sua independência, a
diferenciação entre mãe e filho”, ressalta. Segundo ela, especialmente na
adolescência, o desejo de se diferenciar pode gerar conflitos quando os pais
têm dificuldade em aceitar que os filhos sigam caminhos próprios.
O episódio também aborda a influência das referências
femininas na construção das escolhas profissionais e pessoais. Bia afirma que
cresceu vendo a mãe conciliar maternidade e carreira e que essa experiência
influenciou sua própria visão de futuro. “Desde que me entendo por gente, tenho
na minha cabeça que vou ter uma profissão. Mesmo se eu for ter uma família, vou
querer continuar tendo a minha vida e as minhas ambições, tanto profissionais
quanto pessoais, para ser independente”, ressalta.
Fátima lembra que também foi criada com a ideia de que a
independência deveria ser uma prioridade. “Meus pais sempre me disseram: Primeiro
você tem que se formar e ser independente, não pensar em casar. Eles me criaram
com essa visão. Eu não precisava tirar um copo da mesa, só estudar para que eu
fosse independente financeiramente”, frisa.
Outro ponto da conversa é a importância de permitir que os
filhos errem. Fátima conta que, ao longo da maternidade, aprendeu que
compartilhar as próprias dificuldades pode ser mais importante do que
apresentar apenas histórias de superação. “Eu aprendi ao longo da maternidade
que mostrar os seus erros é tão bom quanto mostrar o que deu certo”, afirma.
Bia concorda e reforça que a experiência própria é parte fundamental do amadurecimento.
“Eu falei para ela que eu precisava errar também. Eu precisava ter experiências
e errar para aprender com os meus próprios erros”, comenta.
Carolina Druck complementa que, na vida adulta, cabe aos pais
confiar no que foi construído ao longo da criação e permitir que os filhos
façam suas próprias escolhas. “Na vida adulta, no momento em que o filho toma
uma decisão, a gente não sabe qual vai ser o resultado. Às vezes tem que deixar
o filho experimentar, quebrar a cara, ter experiências que vão ser necessárias
para crescer, e confiar naquilo que foi construído até aquele momento”,
explica. Para a psicóloga, essa etapa envolve “confiar em si e confiar nesse
filho”.