A carreira de Ezequiel Neves conduz “Ninguém Pode Provar
Nada - A Inacreditável História de Ezequiel Neves”, que estreia nesta
segunda-feira (12/10), às 22h, no Curta!.
Produzido pela Giros filmes e dirigido por Rodrigo Pinto, o
filme mistura documentário e ficção, usando depoimentos reais e cenas
imaginadas. Ezequiel fala sobre Os Mutantes, diz que Rita Lee não sabia cantar
e se emociona com a morte de Cazuza.
A produção não esconde os aspectos mais provocadores da vida
de Ezequiel, abordando drogas, sexualidade, álcool e comportamentos
considerados transgressores. Há imagens que incluem nudez em fotografias e
falas de conteúdo erótico e sexual, e uso de drogas.
Logo no início da obra, o público recebe a advertência que
dá o tom da produção. “Atenção! Esse filme foi feito com uso de Inteligência
Artificial e outras drogas”. Para reconstituir a trajetória do protagonista, o
diretor reuniu mais de 150 horas de entrevistas inéditas e um acervo
documental. Ele utilizou recursos como arquivos falsos, trechos de filmes
inventados e entrevistas recriadas por meio de inteligência artificial.
Nascido em Belo Horizonte, Ezequiel Neves deixou a cidade em
1965, em busca de experiências culturais mais completas em São Paulo e no
mundo. Considerado um dos pioneiros na cobertura jornalística de rock no
Brasil, foi uma figura central na descoberta do Barão Vermelho e Cazuza na
década de 80. No documentário, ele conta que descobriu o grupo numa fita
cassete na casa de Nelson Motta e se apaixonou pelo som. Depois acabou
tornando-se também um mentor de Cazuza.
“Roubei a fita e fui sequestrado por aquela fita”, conta
Ezequiel.
Na parte ficcional, Emilio Neto foi o ator escolhido para
interpretar o jornalista, que morreu de câncer, em 2010. No filme, o próprio
Ezequiel Neves é o único que aparece nas entrevistas. O restante dos
entrevistados contribui por meio de depoimentos de voz, enquanto suas falas são
acompanhadas por imagens de arquivo, fotografias e documentos.
Entre os nomes, Nelson Motta, Guto Graça Mello, Neville
D Almeida, Roberto de Carvalho, Roberto
Frejat, Maurício Kubrusly e Lucinha Araújo são alguns dos nomes que
contribuíram com declarações sobre o artista. Segundo Lucinha, Ezequiel e
Cazuza eram almas gêmeas. Os dois dividiram a autoria de sucessos como Exagerado
e Codinome Beija-Flor.
“Eu gostava muito do Ezequiel, mas ele provocou um lado
horrível do Cazuza. Ao mesmo tempo em que culturalmente ele foi maravilhoso
para o Cazuza, esse lado de maluquice ele acirrou e o Cazuza, claro, adorava,
né”, ressalta.
De acordo com Frejat, mesmo sem ter conhecimento técnico
sobre música, “Ezequiel tinha talento para reconhecer sucessos. A gente gravava e falava, Zeca, vem ouvir. Se
ele dançasse e curtisse, estava aprovado. Quando ele começava a tentar dançar e
o negócio não funcionava, pode voltar para a prancheta, vai estudar de novo!”,
lembra Roberto Frejat.