Nesta terça-feira (13/10), às 22h30, na TV Cultura, Marcelo
Tas recebe o pesquisador e comunicador Renato Meirelles, fundador do Instituto
Locomotiva e do Data Favela, no Provoca. O convidado fala sobre as
transformações e a identidade da classe C brasileira, a partir de sua obra
Brasil da Maioria.
Renato analisa a transição da década do otimismo, nos anos
2000, para um período de estagnação após 2013. Ele destaca que a principal
aspiração atual dessa parcela da população é ser dona do próprio tempo, o que
contribuiu para a perda de prestígio simbólico do emprego com carteira assinada
e para a busca pelo empreendedorismo e pelo trabalho autônomo como caminhos de
autonomia e dignidade. “Pergunta para qualquer jovem que está nos acompanhando
aqui: se alguém virar para ele e falar: Você é um CLT, o que isso significa?”,
questiona Renato.
O convidado também desconstrói rótulos ideológicos rígidos e
explica que o eleitor da classe C é essencialmente pragmático, guiado pelo que
define como o partido da fila que anda. Segundo ele, essa parcela da população
está cansada da polarização política e quer um Estado que funcione e resolva
seus problemas cotidianos. “Quem tem boleto para pagar não quer saber se o
Estado é grande ou pequeno, ela quer um Estado que funcione (...) E ela quer um
Estado que, quando for abrir o seu CNPJ, não atrapalhe com a burocracia. Aí ela
quer o Estado mínimo”, complementa.
Além disso, o pesquisador aborda a persistência das profundas
desigualdades econômicas no país, questiona visões simplificadas sobre o
conservadorismo ao destacar a empatia presente nas redes de apoio das
periferias e defende a urgência de empresas e governos ouvirem mais a população
para dialogar com o chamado mercado da maioria.