A influenciadora e empresária Mari Maria ganha destaque no
próximo episódio de Na Palma da Mari: Entre Mulheres que vai ao ar no próximo
sábado (07/11), às 22h45, na CNN Brasil. Sob o tema Pressão estética na era das
redes sociais, Mari e a médica dermatologista Taiz Campbell discutem a busca
por aceitação, o envelhecimento e os limites das intervenções estéticas.
Mari Maria relembra que o uso dos cosméticos começou na
infância como uma tentativa de se proteger do preconceito dos colegas. “Eu
comecei a me maquiar muito cedo por conta das minhas sardas, para me sentir
melhor com os meus coleguinhas. A maquiagem entrou num lugar muito especial na
minha vida porque me ajudou a me conectar e fez as pessoas pararem de observar
uma coisa que me incomodava quando eu era nova”, explica a empresária,
revelando que, ao migrar para a internet, ainda temia as críticas. “Quando fui
para a internet, eu não tinha coragem de aparecer sem base. Estava sempre bem
rebocada nos primeiros vídeos, porque era uma dor que me acompanhava desde a
infância. Eu pensava: Se na escola era assim, imagina se eu me expuser para
mais pessoas”, observa.
A virada de chave aconteceu quando ela decidiu mostrar o
rosto limpo publicamente pela primeira vez. “O primeiro vídeo que eu fiz
totalmente sem maquiagem, com a minha pele aparecendo, viralizou positiva e
negativamente. Tinha gente falando: Nossa, que pele feia, Coitada, o marido
dorme com uma mulher e acorda com outra. E, do outro lado, pessoas falando: Ela
não precisa de maquiagem, ela é muito linda assim. Eu sempre faço esse
exercício de olhar para o lado positivo e fui me alimentando desses comentários”,
relata.
A partir disso, transformou sua rotina em aceitação. “Eu
comecei a tirar um pouco a maquiagem da pele e usar a maquiagem realçando as
minhas sardas. Foi o exercício que eu precisava para aprender a me amar mesmo,
de me olhar olho no olho. Esse olho no olho que a maquiagem e o skincare
trazem, de você se olhar, se contornar e se valorizar, faz você se amar de
várias outras formas. Eu chamo de exercício do autoamor”, comenta.
A dermatologista Dra. Taiz Campbell analisa que a pressão
estética atinge um público cada vez mais jovem, impulsionada pelas plataformas
digitais. “A gente já via a pressão dos amiguinhos, mas agora tem também toda
essa pressão das redes sociais. Chegam meninas muito novas querendo um skincare
com passo a passo e querendo mudar características pessoais. A gente precisa ir
desconstruindo desde novinha, entender primeiro o lado de se amar do jeito que
é e guardar algumas escolhas para o momento adequado”, pontua. Ela ressalta
ainda que traços individuais não devem ser padronizados. “100% das pessoas têm
assimetrias no rosto. Às vezes, meninas muito novas chegam querendo deixar tudo
exatamente igual. Mas exatamente igual pode ficar parecendo um boneco. Essa assimetria
é o que dá o nosso borogodó, o nosso molho, o nosso charme”, acredita.
Sobre o envelhecimento e as expectativas criadas no
consultório, Taiz destaca a importância de manter a naturalidade e aceitar a
passagem do tempo. “Não pode existir uma coisa desequilibrada de a pessoa não
aceitar o envelhecer. Eu falo que a gente só tem duas opções: ou a gente está
envelhecendo ou é porque morreu. Eu prefiro envelhecer, mas envelhecer bem, se
gostando”, declara a dermatologista.
Ela complementa que costuma alinhar as expectativas com suas
pacientes. “Quando chega uma paciente de 50, 60 anos querendo ter o rosto de
uma menina de 20, eu já alinho: A gente vai ter 50 com carinha de 50, mas com
uma cara de que está cuidada. Eu mesma tenho 42 anos e tenho ruguinhas. A
medicina até conseguiria esticar tudo, mas ficaria bonito? A gente precisa
conservar coisas que mostram que aquilo é natural e real”, conclui.
Mari Maria destaca que os hábitos de cuidado pessoal
refletiram diretamente em sua postura de liderança nos negócios. “Eu acho que
pessoas confiantes dão menos trabalho para a sociedade. A autoconfiança é algo
que tem que ser trabalhado para as pessoas não criarem problemas maiores.
Quando a gente fala de autoconfiança e autocuidado, são camadas muito mais profundas
do que o superficial. (...) A disciplina, não só com maquiagem, skincare e
autocuidado, me fez entender mais quem eu sou como gestora e como empresária.
Tudo isso faz com que você consiga performar muito melhor em outras frentes.
Quando a gente chama isso de superficial, desqualifica a transformação que
aquele hábito pode fazer na vida da pessoa”, ressalta.