Nesta sexta-feira (06/11), a assessoria de imprensa do SBT
encaminhou Nota de Pesar pelo falecimento de Nilton Travesso. Segue na íntegra:
“A TV brasileira perde hoje um de seus grandes nomes: Nilton
Travesso morreu aos 92 anos, em decorrência de uma infecção generalizada. Ele
estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Um dos pioneiros da TV aberta no país, Nilton Travesso
começou sua trajetória em 1953, ao participar de uma oficina para profissionais
do veículo promovida pela TV Record, antes da inauguração da emissora, em
setembro daquele ano. Talentoso, criativo e competente, integrou a celebrada
"Equipe A" e dirigiu programas como "Hebe", "O Pequeno
Mundo de Ronnie Von", "Família Trapo", "Show União",
"Show do Dia 7", "Astros do Disco" e "Jovem
Guarda", entre outros.
Na década de 1970, transferiu-se para a TV Globo, onde
produziu o primeiro videoclipe exibido no "Fantástico" e criou um
estilo próprio que influencia a linguagem do formato até hoje. No canal, também
fundou o núcleo de programação paulista e atuou na criação dos matinais
"TV Mulher", "Balão Mágico" e "Som Brasil".
Passou ainda pelas TVs Manchete, Bandeirantes, Gazeta e Jovem Pan.
No Grupo Silvio Santos, Nilton teve três passagens. A
primeira foi em 1976, quando Silvio Santos inaugurou a TVS no Rio de Janeiro, e
ele dirigiu a comédia "Bacará 76", com Ronald Golias. Em 1993, Nilton
chegou ao SBT e promoveu iniciativas importantes em dois pilares da emissora:
remodelou a programação infantil e reabriu o núcleo de teledramaturgia.
Na programação infantil, Nilton concebeu, desenhou e
estruturou duas novas atrações: "Bom Dia e Cia", com Eliana, e
"Sessão Desenho no Sítio da Vovó", com Vovó Mafalda (Valentino
Guzzo). Ambas ocupavam o início das manhãs, voltadas para a primeira infância,
e logo se tornaram as preferidas das crianças de 0 a 5 anos. Ele também deu
apoio à produção de "Casa da Angélica" e foi responsável pela
remodelação do "Show Maravilha", com Mara Maravilha, que trouxe ao
infantil duas grandes inovações: o primeiro cenário em 360 graus produzido pelo
SBT e uma nova fotografia, com câmeras suspensas e uma câmera móvel que
acompanhava Mara pelo palco dos estúdios do Sumaré. No mesmo ano, deu início à
remontagem do núcleo de dramaturgia com "A Justiça dos Homens", em
que casos do cotidiano eram dramatizados e um julgamento no palco determinava
seu desfecho.
Em 1994, sob o comando de Nilton, estreou uma das produções
mais marcantes da história da teledramaturgia brasileira: "Éramos
Seis". O remake da trajetória de Lola (Irene Ravache), Júlio (Othon
Bastos) e seus quatro filhos comoveu telespectadores em todo o país. A novela
foi exibida em dois horários, por estratégia de Silvio Santos, alcançando altos
índices de audiência em ambos e fortalecendo o núcleo paulista de produção de
novelas. A recriação da cidade de São Paulo nas décadas de 1920, 1930 e 1940,
com a construção da primeira Cidade Cenográfica no que viria a ser o Complexo
GSS, conferiu à novela um nível extremo de qualidade. "Éramos Seis"
conquistou os grandes prêmios do ano, como o Troféu Imprensa e o prêmio da APCA
(Associação Paulista de Críticos de Arte), e ganhou um especial de
encerramento, no qual o público aclamou Nilton e o elenco no Palácio das
Convenções, no Anhembi. Sob o comando de Nilton, o núcleo também produziu
"As Pupilas do Senhor Reitor", "Sangue do Meu Sangue",
"Razão de Viver" e "Os Ossos do Barão". Sob sua supervisão,
foram ao ar "Colégio Brasil", "Antonio Alves, Taxista",
"Dona Anja", "Teleteatro", a primeira versão de
"Chiquititas" e "Pérola Negra".
Em 2004, Nilton retornou à emissora para o reality
"Protagonistas de Novelas", apresentado por Silvio Santos, no qual
novos atores eram confinados na Casa dos Artistas e participavam de um
masterclass de interpretação com o diretor. No mesmo ano, conduziu a criação e
a direção-geral do programa "Charme", com Adriane Galisteu. Na década
seguinte, colaborou com o "Teleton". Sua última participação na
emissora foi no documentário "Silvio Santos, Vale Mais do que Dinheiro",
em 2024.
O Grupo Silvio Santos,
por meio do Sistema Brasileiro de Televisão, lamenta a morte de Nilton
Travesso, grande diretor, dedicado a levar produtos de qualidade ao
telespectador e, sobretudo, um grande amigo e parceiro, que tratava a todos com
igual atenção e respeito. Seu legado servirá de referência para a nova geração
de diretores. A emissora se solidariza
com sua esposa, a jornalista Marilu Torres, com seu filho, o diretor de
televisão Marcelo Travesso, e todos os familiares”.